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Lula e Flávio Bolsonaro trocam desafios sobre abertura de sigilos bancários
O presidente Lula propôs ao TSE a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico se seu adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro, fizesse o mesmo, desencadeando uma série de contra-propostas entre as campanhas.

Durante ato de campanha em Porto Alegre na segunda-feira 19 de outubro, Lula anunciou que apresentaria um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo a abertura de seu sigilo bancário e desafiou Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo. Na terça-feira seguinte, o presidente formalizou a proposta junto ao TSE, expandindo-a para incluir também os sigilos fiscal e telefônico, além de dados de pessoas físicas e jurídicas às quais estivesse ligado.
A campanha de Flávio Bolsonaro indicou inicialmente que pretendi ignorar o desafio. O vice-presidente Geraldo Alckmin comentou que o senador estava "dando uma desculpa" ao não responder imediatamente à provocação. Já na quarta-feira 21 de outubro, Flávio Bolsonaro respondeu em evento em Guarulhos, São Paulo, dizendo que aceitaria abrir seus sigilos bancário e telefônico sob uma condição: que Lula abrisse também o sigilo do seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, bem como do Instituto Lula e do cartão corporativo do Planalto. A campanha de Bolsonaro formalizou essa condição junto ao TSE.
Ainda na quarta-feira, coordenadores da campanha de Lula afirmaram não se opor às condições colocadas por Flávio Bolsonaro. O ex-ministro Camilo Santana, porta-voz da campanha, declarou que o presidente não se opunha a nenhuma das exigências, incluindo a abertura dos dados de Marcola, descrevendo as condições como uma "manobra".

Após essa declaração de aceitação, Lula voltou a provocar Bolsonaro durante ato em Belo Horizonte na mesma quarta-feira. O presidente afirmou que o senador havia "trucado" ao colocar condições, e disse que Bolsonaro "não tem nenhuma carta boa, só tem mentira". Segundo Lula, pretendia responder com sua própria estratégia no dia seguinte.
O vice-presidente Alckmin posteriormente avaliou que Flávio Bolsonaro havia feito 19 exigências e que não desejava de fato tornar seus sigilos públicos. Alckmin defendeu que presidentes e vice-presidentes não deveriam ter sigilos fiscal, bancário ou telefônico, afirmando que "vida pública é pública, tem que ser transparente".