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Supremo prorroga votação no Brasil e causa confusão com urnas já fechadas
Ministro do STF Cristiano Zanin estendeu o horário de votação em duas horas após pedidos de campanhas presidenciais, provocando desorganização em várias regiões onde as secções já tinham encerrado.

A coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva e a campanha de Flávio Bolsonaro apresentaram pedidos separados ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal para prorrogar o horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo. A coligação liderada pelo PT, integrada também pelo PCdoB e PV, solicitou a extensão em municípios de pelo menos nove estados — São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro — alegando problemas na oferta de transporte público que dificultariam o acesso dos eleitores às urnas. A campanha de Bolsonaro pediu a prorrogação em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, justificando com as fortes chuvas que atingiam essas regiões.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu estender o horário de encerramento da votação até às 19h em todo o país, transformando-se numa decisão inédita na história do Brasil. A ordem foi divulgada próximo às 17h, quando muitos colégios eleitorais já tinham encerrado suas atividades conforme o horário original de fechamento.
A prorrogação causou confusão generalizada. Em Mato Grosso do Sul, as urnas já tinham sido fechadas, os boletins emitidos e os resultados entregues aos tribunais regionais — um processo que não pode ser revertido — pelo que a votação não foi retomada apesar da decisão do STF. No Ceará, diversos colégios eleitorais em Fortaleza fecharam os portões pontualmente às 17h no momento exacto em que a ordem de extensão era divulgada, deixando eleitores do lado de fora.

Artistas brasileiros como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sophie Charlotte e Camila Pitanga publicaram vídeos nas redes sociais durante o domingo, acusando os prefeitos de São Paulo e Salvador de terem reduzido as frotas de ônibus durante o segundo turno e apelando à ampliação do horário de votação para permitir o acesso dos eleitores às urnas.
Um professor de direito eleitoral da FGV, Fernando Neisser, considerou que a extensão do horário poderia levar a um pedido de anulação do segundo turno, uma vez que a decisão chegou quando algumas urnas já estavam fechadas. Eduardo Bolsonaro e aliados criticaram a decisão de Zanin próximo ao início da apuração dos votos. De acordo com um relato, pelo menos uma secção reabriu após a decisão.